sábado, 31 de maio de 2008

Edições Toró/ Literatura Periférica convida pro lançamento de “Te pego lá fora”, contos de Rodrigo Ciríaco. 11, 12 e 15 de junho


É na fome de buscar antigos e novos LEITORES; na sanha em carne viva que namora com o trabalho calculado de formar nosso público, o povo que LEIA nas beiradas da metrópole, que suados e felizes chamamos pro lançamento do livro “ Te pego lá fora”, contos escritos por Rodrigo Ciríaco.

Nosso 13° livro confeccionado, páginas da ladeira, do escadão; nosso primeiro livro apenas de contos.
As 25 estórias apresentadas por Ciríaco, professor de história e cooperiférico, costuram caquinhos do universo das escolas públicas do Jardim Cisper/ Ermelino Matarazzo: flechadas na garganta, giz no estômago, carinhos de esperança e homicídios em gotas (carimbados nos diários de classe). Mais rasteiras matutas que a mulecada aplica, por baixo da tonelada de mordida que güenta no osso.
Ciríaco, entre o espanto e a profunda lucidez, dichava o tumor sanguessuga das coordenadorias que passam o ferrolho nos corredores do futuro ( É, esse cabra mentiroso que é o futuro, existe. Nãó é H nem onda de candidato. Acompanhe o florescer da expressão de uma criança que tu ouve o amanhã agora, gritando, tossindo, rodando. Ouve até a mímica).
Os lançamentos serão na Sul, no centro e em Francisco Morato. Cada um com o imã dos arteiros muito muito especiais que vão se parear e mostrar seus revides, suas arquiteturas. Confere e é só chegar. Precisamos de ti pra trincar esse cadeado.
Quarta-feira – 11/06, a partir das 21 horas
No Sarau da Cooperifa- Onde mora o tição, a ciência, o sereno e a gana da Poesia.
Rua Bartolomeu dos Santos, 797, Chácara Santana. Fone: 5891-7403

Quinta-feira – 12/06, a partir das 19 horas
Na Ação Educativa – Com o violão de Gunnar Vargas; o versado do Sarau Elo-da-Corrente, de Pirituba; a sanfona de Aline Reis e os contos de Marcelino Freire
Rua General Jardim, 660 – Vila Buarque. (próxima ao Metrô República)
Fone 3151-2333
Domingo – 15/06, a partir das 17 horas
III Encontro de Literatura Periférica de Francisco Morato
Centenário de Solano Trindade. Convidada especial: Raquel Trindade
No CIC ( Centro de Integração da Cidadania)
Rua Tabatinguera, 45 ( próxima à estação de trem de Francisco Morato, colada na prefeitura)
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QUESTÃO DE POSTURA

O professor observa o menino no canto da sala, sozinho. Suando frio. Esfregando a mão dentro da calça. Estranha. Aproxima-se, com calma. O aluno de cabeça baixa, concentrado. Não percebe a chegada. Assusta. Coloca de volta, rápido. O professor, meio sem jeito, pergunta:
- O que é isso, Lucas?
O aluno não vê outra solução. Abaixa o zíper. Mostra o revólver.
- Ah! Tudo bem. Pensei que fosse outra coisa.
- Ô, que isso! Tá tirando prussôr?

***

PAPO RETO

Vou te explicar, só uma vez, porque apesar de parecer inteligente, você ainda é muito novo pra entender. Não tem a malícia, a experiência da vida. Aqui, as coisas não são do jeito que você quer. Tudo tem o seu ritmo, o momento certo. Você não pode chegar aqui e querer mudar tudo. Fazer a revolução, entende? Não, aqui você entra no esquema, no jogo. Ou entra no jogo ou tá fora do baralho. E te digo: carta fora fica marcada. Cê tá lascado.
Tô falando isso porque vocês, professores, criticam, mas não entendem como é difícil ficar aqui atrás dessa mesa. Acham que é fácil dirigir uma escola. Só reclamam, reclamam: ah, que não tem organização, ah, que não tem transparência nas coisas; que eu nunca tô presente. Vou deixar uma coisa bem clara, já que você me questionou: a minha vida não é isso aqui. Isto é uma pequena, pequena parte dela. Eu tenho outras preocupações, entende? Por exemplo, tenho o financiamento do meu carro. Tenho a escola particular dos meus filhos, tenho o meu apartamento. Eu trabalho em três empregos, professor. Três! Veja a minha responsabilidade. Se vocês não me vêem aqui quando precisam, não é por que eu tô vagabundeando não. Vê se alguém da secretaria bota falta no meu livro de ponto quando não venho? Não, eles sabem que eu não sô pilantra, não tô enrolando. Tô trabalhando. Tra-ba-lhan-do. E eles colaboram comigo. Isso se chama confiança, lealdade. Reciprocidade. Faço a cobertura deles quando fazem umas cagadas por aí. Trabalho de equipe, entende? Por isso, sou bem clara. É tua escolha. Ou entra na dança ou procura outra escola. Sem vacilação. Você não pode conosco. Nós somos a maioria.
O negócio aqui é sério.

***
Bia não quer merendar
Bia não quer merendar. Bia nunca comeu a merenda mas ouviu dizer que é ruim, que é sempre a mesma coisa; que não presta. Bia vê o que alguns alunos fazem com a merenda: dão duas colheradas e deixam no canto; amassam, fazem uma pasta e jogam uns nos outros. Guerrinha. Raspam o fundo do prato com a colher de plástico, dão uma lambida e pedem: - Tem mais, Tia? Bia acha engraçado. Os merendeiros. Bia diz pras amigas “eu não, eu não sou merendeira”. Ela inclusive viu esta semana uma calça. A tia falou que vai lhe dar um tênis. Já encomendou um celular para a mãe. Tem nome e marca de carro: um V8. Bia espera que o seu V8 não demore. Ela tem medo. Não pode deixar de se comunicar com as meninas. Odiaria ser rejeitada pelas amigas. Não ter um grupo. Ser apenas mais uma do povo. Já pensou, comer a merenda, como todos? O Zé-povinho? Ela não. Bia não se importa de não comer. As modelos não são todas magras? Quem dera tivesse anorexia. Dizem que é doença de rico. Tomar sorvete, comer lanches, salgados e depois vomitar. Pelo menos esta dor no estômago, esta fraqueza faria sentido. Bia não quer merendar. Ela já avisou: não tomou café, não almoçou. Não, não é dieta. Não comeu porque não tinha. Assim como no intervalo não tinha dinheiro pra cantina. Bia não quis sair para comer a merenda, ainda que fosse às escondidas. A última coisa que Bia insistiu em dizer, antes de desmaiar de fome, foi: “Professor, eu, eu... Eu não sou merendeira.”

DUBVERSÃO NO CENTRO CULTURAL MONTE AZUL

Hemanos y Hermanas!
Essa pedida é D+ !
Reggaes e Raggas Roots da melhor qualidade.
E não precisa nem pagar prá ver e ouvir

DUBVERSÃO SISTEMA de SOM
01/06/08 DOMINGO DAS 13H às 18H
JD. MONTEAZUL ZONASUL no CENTROCULTURAL da JUVENTUDE
AV.TOMASDESOUZA, 552

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Favela

Favela

Sem camisas e descalços atravessávamos aquele vale, verdinho sob o sol quente, quando ainda não existiam os becos e vielas atuais. Correndo para o mergulho na Lagoa do Barro Branco, flutuávamos sobre cobras, lagartos e flores que queriam durar para sempre, mas não duraram, pois a cidade debruçou seu véu cinza sobre a brisa suave da infância, criando um outro mundo, onde hoje tantas vidas se encontram, se digladiam, se encoitam ou suavemente se beijam, pois ali também é possível o amor. Sobre inclinações improváveis, esgotos lamentáveis e ratos quase domesticados eles construíram seus cantinhos de privacidade mínima onde resistem às provações dos governos e dos tantos deuses que povoam seus corações. Projetam um futuro improvável nos filhos que nascem todos os dias, mas o mal, a violência e a perdição estão cada vez mais próximos de seus portões e tantas vezes nem respeitam esse limite, invadem seus lares, pois há sim os que querem socializar o inferno.

Tá lá o corpo estendido no chão do barraco, tiros, facadas e um prego enfiado na testa. Há uma mina dágua sob a bananeira que resiste e refresca quem passa pelo beco sufocante. Dois livros servem para o menino agredir violentamente a menina, que chora, mas não se abala, continua sendo forte e convicta em sua honestidade. Desafia o mal pra uma peleja e vence. Há o sorriso infinito das crianças e jovens em todos os becos. O menino sem maldades é assassinado por motivos fúteis, a comunidade o vinga imediatamente e no dia seguinte temos duas famílias no cemitério, uma do lado da outra, enterrando seus jovens filhos. O marido das cinco mulheres e pai de dezoito filhos morreu assassinado ali em cima sem saber que uma das filhas havia escrito uma redação de duas páginas sem um único erro de português. A maior artista da favela, menina de doze anos que toca flauta, tambores, abes, canta, dança, sorri e faz denguinho está trabalhando de babá.

A favela é cultural, tem rádio barracão, maracatu, arlequins e flautins pelos becos e vielas, tem samba circo teatro e cinema no campinho, tem grafite jazz e rap, tem áfrica angola e moçambique, tem carnaval vem cáprarua, tem crianças tocando trenzinho caipira em seus quintaizinhos, tem jovens entrevistando moradores, fazendo um filme, tem brincadeiras, tem uma árvore sendo plantada, tem morte e vida severina e um menino armado ali na esquina.

Roberto QT

quarta-feira, 21 de maio de 2008

BORBA GATO É JULGADO, CONDENADO E ENCONTRA-SE PRESO!

BORBA GATO É JULGADO, CONDENADO E ENCONTRA-SE PRESO!
Fato inédito no país para um branco, rico e bandeirante.


No dia 19 de Abril de 2008 foi promovido o Julgamento Popular do Borba Gato.


O júri popular o declarou culpado pelas seguintes atrocidades:


Homicídio qualificado de negros, índios e brancos.
Artigo 121 do código penal - reclusão de 30 anos.


Promoção de trabalho escravo de negros e índios.
Artigo 288 do código penal - reclusão de 8 anos.


Estupro de mulheres negras e índias.
Artigo 103 do código penal - reclusão de 10 anos.


Apropriação indébita de riquezas e poder.
Artigo 168 do código penal - reclusão de 5 anos.


Porte indevido e ofensivo de armamento pesado.
Artigo 180 do código penal - reclusão de 2 anos.


Com eficiência e rapidez surpreendente, a pena é executada em um mês.
No dia 21 de maio, Borba Gato é acorrentado a uma bola.





Detalhe da corrente de Nióbio material altamente resistente
A reclusão prevista no código penal é de 55 anos..

Por acreditarmos que a cultura bandeirante e suas atrocidades não representam os heróis que gostaríamos ver construir a nossa história, o juri delibrou que o Bandeirante Borba Gato fica condenado à imobilidade por toda a eternidade.

É importante saber que:
Os povos negros e indígenas são bases fundamentais na formação do Brasil. Mesmo assim foi criada uma cultura de que o que vem destes povos deve ser menosprezado – por isso as maiores estradas, monumentos, personagens da nossa história e até mesmo o palácio, é deles! Pessoas que massacraram a cultura indígena e negra. Mas é preciso deixar claro que corre no sangue do nosso povo uma ancestralidade indígena e negra!!!
Repensar a história do nosso povo é promover a possibilidade de um outro Brasil e não como este atual onde quem tem dinheiro não tem lei, não vai preso e manda no país. Onde quem é índio nem sabe que é e quem é negro tem vergonha de Ser.
Nossos heróis são outros e não estes que nos apresentam!!!
Queremos mais.
Podemos muito mais...
Questionando os nomes e os valores da "história oficial" estaremos reconstruindo nossa própria história como povo desta terra.

Eu quero brincar! No Sacolão das Artes


segunda-feira, 19 de maio de 2008

Show do Núcleo na Fábrica de Criatividade neste domingo 17h! Grátis!


Panelafro MAIO


Panelafro já está se aproximando!!!
sexta-feira dia 30 do Maio
E essa vez temos a prazer de apresentar aos vocês:

E. S. UNIDOS DA FIGUEIRA
Escola de Samba

POESIA SAMBA SOUL
MPB Dançante e Soul

VOZ DA PERIFERIA
Rap

TERNO QUENTE
Coco Rural
Com Mazinho Lima, Mestre Nico e Eder O' Rocha

POETAS DA COOPERIFA
Performances e declamação de poesias

E os ritmos da casa, do Grupo Espírito de Zumbi:
ciranda, samba de coco, maracatu, samba de roda, afoxé, cangira, capoeira ...


Como sempre a partir de 19h30, entrada FRANCA, com um Prato Típico Gratuito, e no local :

CASA POPULAR DE CULTURA M'BOI MIRIM
Av. Inácio Dias da Silva, S/Nº - Piraporinha
Mais Informações: 5514-3408 / 8812 2301 (Alan Bernadino)