quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Expedição DONDE MIRAS e PROJETO FOTOGRÁFICO UM OLHAR dia 01 de Setembro
com fotos exclusivas da Expedição Cultural Donde Miras.
Cobertura exclusiva pelos fotógrafos : Raissa Padial Corso e Fabio Feijão
Durante o Mês de Julho, aproximadamente 50 pessoas entre escritores, cineastas, artistas plásticos, atores, músicos, dançarinos, produtores culturais, poetas, fotógrafos e educadores, comprometidos ativamente com a produção e difusão cultural na cidade de São Paulo, principalmente em suas regiões periféricas. Se reuniam para dar inicio a mais uma caminhada Cultural " Expedición Donde Miras" , desta vez não mais sentido Curitiba e sim com roteiro São Paulo/Cananéia, litoral Sul da Cidade.
A idéia da Expedição surgiu do Poeta Binho, enquanto conversava com o seu parceiro, amigo e também poeta Serginho sobre a vontade que ele tinha de conhecer a América Latina. "E se fôssemos a pé?- A pé??? Pelo amor de Deus, a pé não, vai. Que tal de moto?..." Enfim, nem precisa falar muito...Vem, vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora e não espera acontecer... e ai estão eles, caminhando, caminhando e levando muita cultura.
Foram aproximadamente 30 dias de caminhada, com partida no inicio do mês de Julho. Saíram de ônibus do Bar do Binho, até a aldeia indígena Tenonde Porã, localizado na Barragem/Parelheiros. No dia seguinte, partiram aproximadamente 50 pessoas caminhando com destino a Cananéia, acompanhados pelos Guaranis, chegaram em outra Tribo Indígena e no outro dia seguiram andando pela mata até chegar em Itanhaém. em seguida até Santos e por aí VAI.
Durante todo o percurso, diversas paradas foram feitas, em escolas, casas de culturas, saraus foram realizadas, apresentações de bandas locais, muita poesia, encontros com artistas locais, projeções áudio-visuais, etc.
Depois de quase 30 dias na estrada, cheios muita alegria e Cultura, chegaram ao destino desta Expedição, Cananéia. No inicio eram aproximadamente 50 pessoas, entre uns que voltavam para São Paulo e em seguida retornavam a caminhada. A Expedição chegou ao término com cerca de 20 pessoas que caminharam o tempo todo juntos do inicio até o destino Final.
Não deixe de ver a Expedição Donde Miras, registrada pelo Olhar e pelas lentes dos Fotógrafos Fabio Feijão e Raissa Corso / Projeto Fotográfico UM OLHAR. Os Fotógrafos Fabio e Raissa estiveram desde o primeiro até os últimos dias caminhando juntos e fotografando.
Em breve o ensaio fotográfico estará no site do Um Olhar
Projeção das Imagens Dia 01 de Setembro (segunda-feira)
A Partir das 20 horas
Local: BAR DO BINHO
Endereço: Rua Avelino Lemos Junior, 60 - Campo Limpo São Paulo -SP(Rua ao Lado da UNIBAN)
Entrada Grátis
(texto André Bueno)
www.umolhar.org
http://expediciondondemiras.blogspot.com/
http://saraudobinho.blogspot.com
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quarta-feira, 27 de agosto de 2008
terça-feira, 26 de agosto de 2008
Os mamelucO neste sábado no CCJ às 15h
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CONVOCATÓRIA DE CASTING - CONTOS DE BAIRRO
Salve!
aí segue a nossa convocatória para os filmes, por favor ajudem a divulgar!!!
beijos
CONVOCATÓRIA DE CASTING
CONTOS DE BAIRRO
Três curtas-metragens baseados em contos de escritores da periferia de São Paulo.
Contos de Bairro – o projeto
O Coletivo Arte na Periferia, com o apoio do Programa VAI (Valorização de Iniciativas Culturais), edital público da Secretaria de Cultura da Prefeitura de São Paulo, da HL Produções e da Revista de Cinema, convoca atores e atrizes residentes na cidade de São Paulo para o casting do projeto Contos de Bairro.
Contos de Bairro será uma obra digital composta por três curtas-metragens de ficção, baseada em contos de escritores da periferia de São Paulo. As histórias escolhidas para o projeto são Gente Feia, de Huguêra; Amanhã Talvez, de Sérgio Vaz; e Meu catecumemato na ludocópula e o sonho de titia, de Tico.
Cada um dos curtas será adaptado e dirigido por cineastas diferentes. Contos de Bairro pretende constituir uma coletânea da produção audiovisual na periferia e gerar oportunidade de analisar o olhar de uma nova geração que vem produzindo audiovisual em São Paulo.
Pré-seleção de atores
Currículos, fotos e links para vídeos devem ser enviados para o e-mail contosdebairro@yahoo.com.br até às 12 horas (meio-dia) do dia 31 agosto (domingo), A/C da PRODUÇÃO. O título do e-mail deve ter o seguinte conteúdo:
Casting/ Nome do Curta/ Nome do Personagem
Caso um ator ou atriz queira participar do casting para mais de um personagem, por favor envie o mesmo material em E-MAILS SEPARADOS pois os diretores se orientarão pelos títulos das mensagens na caixa de entrada.
Casting
Os atores selecionados serão comunicados via e-mail até dia 3 de setembro e receberão, neste mesmo dia, o roteiro do(s) curta(s) com as cenas para serem preparadas para o teste de VT. O Casting acontecerá nos dias 6 e 7 de setembro (sábado e domingo) no Centro Cultural Monte Azul, Zona Sul de São Paulo, durante as manhãs e as tardes. O endereço e os horários que cada ator deverá comparecer será divulgado apenas aos selecionados.
Cachês
Por se tratar de um projeto de baixíssimo orçamento, resultado também da parceria entre o Coletivo Arte na Periferia e empresas apoiadoras, o projeto Contos de Bairro pagará aos atores uma ajuda de custo simbólica. Todos os profissionais do projeto receberão ajudas de custo emelhantes.
Atores principais = R$ 200,00 / Atores Coadjuvantes = R$ 80,00
Datas
Preparação de elenco: 20 e 21 de setembro (sábado e domingo)
Gravações:
− Curta 1: Gente Feia
Dias 11, 12, 18 e 19 de outubro (finais de semana)
− Curta 2: Amanhã Talvez
Dias 25, 26 e 27 de outubro (sábado, domingo e segunda-feira)
−
Curta 3: O Sonho de Titia
Dias 1, 2, 8 e 9 de novembro (finas de semana)
Os curtas-metragens
Gente Feia
Baseado no conto "Gente Feia", escrito por Huguêra
Roteiro e Direção: Peu Pereira
Sinopse:
Um gay que é craque de bola, um líder de comunidade envolvido com o movimento hip-hop, uma drag-queen que esqueceu suas raízes, um nordestino que nem sabe quem é, um chefão do crime organizado acima de qualquer suspeita. Personagens da periferia de São Paulo, que para muitos são apenas Gente Feia, botam à prova a máxima filosófica de que "o inferno são os outros".
Perfil dos personagens:
Gilson – personagem principal
Mulato, estatura mediana. Já foi moleque de rua e michê. Agora, aos 30 anos trabalha num restaurante. Sempre discreto, ninguém sabe que ele é gay. Na quebrada, embora todo mundo saiba da sua preferência sexual, é respeitado pelo seu passado de moleque de rua. Usa baby looks, calça jeans e tênis all star. Básico e sossegado.
Diego – personagem principal
Negro, forte. Tem mais ou menos 25 anos. Ligado ao movimento hip-hop e aos movimentos sociais. É um líder na quebrada. Conhecido de deus-e-o-mundo, se veste como um cara do rap. Calça larga, camiseta dos artistas e heróis negros, como Zumbi, boné e tênis.
Gilson Criança - coadjuvante
Menino moreninho, frágil. Pequeno, mas não magrelo. Tem entre 10 e 12 anos.
Marivaldo- coadjuvante
Braco, baixinho, troncudo. Típico nordestino tem 25 anos. É um cara bruto/rústico criado na lei do "quem pode mais, chora menos", junto com os caras da quebrada. Mas em casa, o código do "macho" nordestino é o que manda. Por isso, ele não consegue aceitar o próprio homossexualismo.
Rebeca- coadjuvante
Reginaldo Cristiano de Freitas – gay, só se lembra que não é mulher quando se vê, pelado, no espelho. 32 anos, branco, estatura mediana, magro, cabelos lisos, jeito afeminado, bicha afetada. Trabalha num salão de cabeleireiros. Adora novela e compra todas as revistas de fofoca sobre os famosos. Suas ídolas são a Hebe e a Ivete Sangalo.
Scarlet Montserrat- coadjuvante
É a drag-queen mais famosa da cidade. Tem entre 35 anos e 38 anos, veste-se como a Marilin Monroe, mas é morena. Nome de baptismo é Josafá Augusto Ferreira de Jesus. Quando pobre, fazia michê, como o Gilson. Nessa época, voltavam pra casa mais ou menos no mesmo horário e pegavam o ônibus no mesmo terminal.
Nikimba - coadjuvante
Tem entre 28 e 30 anos, negro, magro e mal encarado. É o dono da boca, então, já viu de tudo! Só que sempre foi muito respeitado na quebrada. A mãe morreu cedo e o moleque foi criado, junto com uma irmã, pela avó. Depois que a avó morreu, a irmã se mandou, com um ladrão da quebrada, e o moleque virou bicho solto.
Nikimba Criança- coadjuvante
Negro de 10 ou 12 anos, baixo, mas forte, troncudinho. O chefe da turma, o mais sangue
no zóio dos três.
A mãe do Gilson - coadjuvante
A típica, tiazinha crente de periferia, tem por volta de 50 anos, mas aparenta muito mais. Cabelão, preso, em coque. Usa sempre saia de corte reto até a canela e blusa bem fechada. Já foi do mundo, largadona na vida, mas agora, tenta fugir do capeta que mora dentro dela, falando da vida dos outros.
Seu Damião - coadjuvante
Senhorzinho, pretinho e simpático, tem os seus 70, mas aparenta uns 50 anos. Roupeiro do time. Pai de todos. Acolhe todo mundo e respeita todos, nas suas diferenças. Gosta pra caramba do Gilson, porque ele é um menino que sofreu pra caralho na vida e é um cracão de bola.
Gordinho - coadjuvante
Moleque, com uns 11 anos, branco e gordinho.
Nenê - coadjuvante
Branco e mirrado, entre 09 e 10 anos.
Amanhã Talvez
Baseado no conto "Amanhã Talvez", escrito por Sérgio Vaz
Roteiro e Direção: Rogério Pixote
Sinopse:
Asdrúbal e sua vida, cotidiano. Bebida, controle remoto, controle remoto, bebida, boteco. Às vezes a mulher, às vezes os filhos, às vezes. Controle remoto, bebida, TV, a Morte. A Morte e a vida de Asdrúbal.
Perfil dos personagens:
Asdrúbal - personagem principal
Negro, estatura mediana, cerca de 50 anos. Nasceu em Sergipe, onde passou sua infância e boa parte da adolescência. Desde cedo começou a trabalhar para ajudar a família. Aos quinze anos, após a morte de seu pai, Asdrúbal migrou para São Paulo para fazer sua batalha, economizar dinheiro e ajudar a família no nordeste. Se casou com Maria Josefa. Com o tempo, começou a beber e se afastou da sua família.
Morte – personagem principal
Estatura mediana, ligeiramente gordo e com seus trinta anos. Um comportamento que beira a boemia e o deboche. Durante sua vida terrena ganhava a vida fazendo jogo do bicho e vendendo churrasquinho numa praça, foi preso por não pagar pensão alimentícia a um filho que nem sequer conheceu. Na cadeia ficou conhecido por um grupo de samba com grande prestígio. Morreu pedindo clemência entalado com um osso de frango numa farofa. No purgatório, utilizou sagazmente sua lábia doce e convenceu as autoridades celestiais que poderia dar jeito em muito maluco, ao contrário dos outros funcionários que sempre pousavam de angelicais. Foi assim que conseguiu o ofício de dar jeito na vida de quem não sabe viver, serviço com resultados nem sempre satisfatórios.
Maria Josefa (Zéfa) - coadjuvante
Baixa, negra, 35 anos. Nordestina que desde os 10 anos de idade mora em São Paulo e hoje ganha a vida como diarista. Com 15 anos casou-se com Asdrúbal, seu primeiro namorado. A partir daí sempre foi sua companheira. Zéfa tem uma aparência jovial, mas nos últimos meses o semblante está mais abatido causado pela sua preocupação com o vício do marido que está lentamente contaminando seu sorriso.
O Sonho de Titia
Baseado no conto "Meu catecumemato na ludocópula e o sonho de titia", escrito por Tico
Roteiro e Direção: Bel Mercês e Paula Szutan
Sinopse:
Depois de uma noite de rebeldia, amor e divagações literárias, Keyla decide que vai pedir a mão do namorado em casamento. Mas no mesmo dia, acontece um acidente inesperado com a tia dele.
Perfil dos Personagens
Keyla – personagem principal
Jovem universitária paulistana, que aparenta ter entre 20 e 22 anos. Mais pra menina do que pra mulher. Apaixonada por literatura, fala o que pensa e a primeira vista demonstra rebeldia, apesar de ter um lado conservador. É a primeira vez na vida que está apaixonada.
Bernardo – personagem principal
Rapaz paulistano que aparenta ter entre 25 e 28 anos, altura mediana, não é forte nem muito magro. Mora com sua tia idosa, que o criou, e sustenta a casa. Tem um amor maternal pela tia. É muito responsável, mas está cansado de seu trabalho burocrático. Admira a rebeldia de Keyla, sua namorada.
Titia – coadjuvante
Senhora bem idosa e doente com dificuldades de locomoção. Se locomove com a ajuda de uma cadeira de rodas. Apesar de ter aparência física frágil está absolutamente lúcida. De forte personalidade, criou seu sobrinho sozinha e o ama incondicionalmente. Sonha em vê-lo casado.
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Peu Pereira
www.artenaperiferia.blogspot.com
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sexta-feira, 22 de agosto de 2008
CONVITE - EDIÇÕES TORÓ NO CINE E NA RÁDIO, NA BIENAL, NA VERSAÇÃO E NO DEBATE
ENCONTROS E DEBATES
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Videoteca Popular no CEDECA Interlagos
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Sarau Eclético no CCM do Grajaú
OFICINA DE CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS
Projeto ERA UMA VEZ...O MUNDO
Mediadora: Letícia Coelho Gomes (professora e arte-educadora)
Dias: 27/08 e 03/09 (4ªf.) – das 8hs às 12hs06/08 – 14hs às 18hs (finalização da oficina com Sarau de poesias e outras artes)
Local: Centro de Cidadania da Mulher – CCM Inscrições gratuitas – vagas limitadas
Rua Professor Oscar Barreto Filho, 350 – Parque América/ Grajaú Telefone: 5925-5429
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2 Meses e 23 Minutos no Festival de Curtas
Sexta 22 - às 18h na Cinemateca, sala Petrobras
Sábado 23 - às 20h no Centro Cultural da Juventude + debate com Rogério Pixote, Fábio Ranzani, Rica Saito e Helena.
Segunda 25 - às 17h no Cine Olido + debate com Rogério Pixote, Fábio Ranzani, CANIL e Júlio Wainer.
terça 26 - às 18h no Unibanco Arteplex, sala 5 - Frei Caneca
Mais informações e programação completa em:
http://www.kinoforum.org.br/curtas/2008/programa.php?c=206&idioma=1
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terça-feira, 19 de agosto de 2008
21 ANOS SEM ASFALTO
para Lauro Medeiros
Se me perguntarem do que mais sinto falta, é do cheiro da chuva chegando. De úmido, de terra molhada que aumentava, soprando junto com o vento.
Da rua eu tirei a primeira terrinha para fazer minhas comidinhas, que partilhava com as bonecas. Sempre entendi que a lama podia ser modelada, mesmo como bolinhos e papinhas das panelinhas, nas brincadeiras de casinha.
A chuva era uma alegria; lá íamos eu e os amiguinhos andar pelo meio das enxurradas, descalços, sem medo de nada, a não ser cair dentro do bueiro, e sumir.
Esse medo era constante, de tirar o sono. Sempre ouvia a história de crianças que, em dias de chuva, escorregavam e sumiam pelos bueiros. Do caminho da escola eu sabia de cor a localização deles. E quando eu me esquecia e quase caía?
No começo da noite, depois da chuva ou durante ela, começavam a aparecer os sapos. Os girinos. As pererecas. Animais com quem convivia muito na rua. Tínhamos o mesmo habitat.
Nas três raras vezes em que estivemos no laboratório da escola, qual era o animal que dissecávamos? Ele mesmo: o sapo. Tamanha a fartura, a facilidade de apanhá-lo.
Por isso adoro fábulas que têm o sapo como personagens. Uma princesa, que ao caminhar no campo encontra sapos, é totalmente aceitável no meu imaginário.
A chuva estava presente mesmo não chovendo, pois deixava suas marcas e conseqüências sempre. Eu morava no alto, e a água ia abrindo sulcos e fendas pela rua. Nos dias secos, um transtorno, quando se caía, escorregava, desviava, pulava e caminhava nelas. Nos dias de chuva caminhava-se dentro dos sulcos, junto com as enxurradas, invariavelmente. Descalça, de chinelo, ou com o sapato da escola mesmo.
Falo também do mato que invadia as ruas, fazendo-as mais fininhas, irem afunilando mais. Quase trilhas. O mato crescia mais depois das chuvas, assim como dento das casas, nos jardins e falhas do cimento do quintal. Ervas cresciam também.
Nos tempos de seca, de estiagem, era um pó só. No fim do dia as roupas ficavam com o tom da terra; aliás, uma cor linda. Um cor-de-rosa clarinho e brilhante. A pele da gente reluzia, principalmente nas noites de lua cheia, quando ficávamos até tarde na rua brincando.
Tudo me faz celebrar a chuva. A grande benção do céu.
Celebro a chuva e lamento o aborrecimento das pessoas da cidade quando ela chega. Tudo deveria ficar bom quando chove...
Então, a chuva teve tudo a ver com a rua. De terra.
Com aquela terra brilhante havia muitas pedrinhas. Isso me causou dificuldades desde quando aprendi a andar. Por causa de tantas pedrinhas não conseguia manter o equilíbrio, vivia escorregando e caindo. Tenho provas disso: em uma queda, arranquei um pedaço de pele significativo do joelho, e tenho uma cicatriz notável, profunda e bem diferente da pele. Ao cair eu me arrastei por centímetros e chorei muito porque doeu.
Escorregar na terra era constante. Os solados plásticos e duros das congas azul-marinho proporcionavam um freqüente deslize. Os solados sempre manchados de lama, que fazia a gente esquecer o que era o branco das coisas. Muitos sapatos meus ficaram manchados de lama por vários anos. Ao circular por lugares mais centrais, as pessoas viviam perguntando onde morava, de onde vinha. Vivia com vergonha disso, mas, depois nem ligava. Cheguei a ter orgulho de carregar manchas de lama nos tênis. Uma bobagem. Ter dificuldades é motivo de orgulho?
Lembro-me, na adolescência, da amiga Inês, que morava um pouco mais no alto do que eu. Depois de a família perder tudo, foi morar no Jardim Brasília. Ela nunca se conformou. Nos dias de chuva, ia para a avenida, no ponto de ônibus, com dois saquinhos plásticos no pé, em volta dos sapatos, para não se sujar de lama. Pouco adiantava, pois vivia espirrando lama na roupa, nem que fossem uns pinguinhos. Sempre levávamos a terra da rua com a gente. Sempre viam terra na gente.
Rua de terra e muitos terrenos com mato. O misterioso mato, tão presente em histórias de viajantes. Tão verde e cheiroso. Dali saíam muitas coisas, muitos bichos. Ratos, cobras, baratas, cupins, formigas, grilos, louva-a-deus, borboletas, tatuzinho-bola, que invadiam as ruas e não tinham vez junto à crueldade das crianças, das pessoas que marcavam ali seu território, sua passagem.
Os carros passavam tão raramente e a rua era lugar de gente. Todo mundo andava no meio dela, com jeito de estar percorrendo um caminho... Ruas compridas, olhares perdidos em pensamentos na caminhada.
Crianças passavam a caminho da escola, centenas. Mas durante todo o dia se revezavam na ocupação da rua e ficavam horas ali brincando.
Nas férias era a tomada total da rua. Gritos de felicidade, barulhos de brincadeiras e exaltações. Toque de recolher eram o grito da mãe chamando para o banho, a janta ou a chegada do pai do trabalho.
Tínhamos alguns medos da rua: dos raios em dias de chuva, de bombinhas, de enroscar pipas nos fios, de tarados que atacavam mulheres e meninas. Das brigas, quando uma turma ou integrante de outro bairro invadiam ou passavam pelo nosso. E vice-versa. Eu nunca entendi bem por que existia essa regra. Da polícia, quando, à noite, ficávamos dentro de casa morrendo de medo ouvindo as veraneios ou camburões da Rota deslizando com motor desligado, faróis apagados, nos causando pavor.
Também não tínhamos medo: queimada, esconde-esconde, pega-pega, cabo-de-guerra, brincadeira de roda, vivo-ou-morto, passa-anel. Às vezes, durante a tarde, deitávamos na rua e ficávamos olhando as nuvens do céu e vendo as mais diversas formas. Conforme o vento, mudavam as figuras. E todos milagrosamente viam juntos, imaginavam juntos. O exercício se complicava quando o vento era veloz e a imaginação tinha que ser rápida para dar conta do movimento. Estaria aí a primeira noção de que tudo muda?
Pulamos muita corda. Tenho certeza de que minhas pernas engrossaram de tanto brincar de pular corda. A corda era sempre minha e de meus irmãos, doada e sempre reposta pelo meu pai. Ele nunca me deu uma bicicleta, mas me deu esse instrumento de muita satisfação.
“Beijo, Abraço ou Aperto de Mão”. Por causa da brincadeira, fiquei noiva aos oito anos de idade. O anel era daqueles que vinham grudados no chiclete Ping-Pong, e o meu tinha uma pedra de acrílico vermelha. Exibia-o orgulhosa, prova de meu compromisso.
Soube de menstruação, sexo, namoro e beijo com amigas da rua. Algumas coisas me chocaram, outras me deram vontade de fazer. Treinava beijar em casa, no espelho do guarda-roupa da minha mãe. Um beijo frio, no vidro.Tão diferente do meu primeiro beijo, quente, que não teve trilha sonora, como a das novelas da TV. Aliás, o silêncio estonteante da entrega. Os pés fincados na terra da rua, o ventre quente e a cabeça flutuando. Bem no meio da rua.
Depois desse beijo, vieram outros, de outros, na rua.
Crescendo, também cresceram meu olhar, minha mente e meu desejo de beijar outras bocas, uma grande vontade de vida. Em outras ruas.
De ganhar novas ruas, até avenidas. Estradas?! A minha rua ficou pequena, com pouco espaço para tudo isso.
A rua mudava, ao mesmo tempo em que eu mudava. Primeiramente, a iluminação de poste, que deu grande incrementada às brincadeiras e depois aos namoros. Depois, as grandes tubulações e buracos: a água encanada! (morria de medo de cair no poço do quintal...). Finalmente o asfalto, que selou uma nova era: a de que eu não pertencia mais àquelas ruas.
Rosa Maria Falzoni
Natural do Jardim Brasília
Zona Leste - São Paulo - Capital
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Programação da Trópis
Extra: sábado 23 de Agosto
21 h ENCONTRO DE COMPOSITORES • show de lançamento do CD
Presença de GUNNAR VARGAS (organizador) • CODNOME SHIL • BUNECA • CLAUDIO LOPES • DAN! • DÊSSA E SANDRO LIMA • HUGUERA • JUNIOR SANTOS • NÚCLEO • SERGINHO POETA
No Centro Cultural Monte Azul • Av.Thomás de Souza 552 • f. 5851-5370 • entrada franca
Domingo 24 de Agosto
17 h ENSAIO ABERTO com TORÓ DE PARPITE
uma mistura de sarau com aula-de-todos-para-todos: compartilhe suas experiências
ou tentativas em artes (inclusive humor!) e troque idéias e sugestões com todo mundo
sobre as apresentações de todo mundo!
18:30 Jorgim Duporquê entrevista o Prof. Ditu Dumpoko
UM MUNDO MAIS JUSTO: EXISTE CHANCE ?
O que dizem as descobertas recentes sobre o cérebro, e a Filosofia Convivial
com JORGE LUCAS MAIA, RALF RICKLI e participação aberta a todos os presentes
Domingo 31 de Agosto
Abrindo a série Domingos LesGayS - sempre no último de cada mês
16 h Chá, papo & escolha de um filme:
- Kinsey, vamos falar de sexo (EUA 2006) - ou:
- Nossos filhos (EUA 1990) - ou:
- Todas as cores do amor (Irlanda 2003)
18:30 Bate-papo aberto
Há interesse em discutir diversidade sexual (entre outras) nos bairros?
Domingo 07 de Setembro
Aguarde o programa da comemoração dos
10 anos de oficialização da Associação Trópis
( 16 anos de atividade ! )
BIBLIOTECA TRÓPIS
Aberta no horário dos eventos ou com hora marcada pelo e-mail comunic@tropis.org ou celular 11 8552-4506
atrás do Colégio Renato Braga • Ônibus do Term. João Dias (metrô Giovanni Gronchi l.lilás): Jardim Capelinha
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terça-feira, 12 de agosto de 2008
Centro Cultural Monte Azul - Programação de Agosto 2008
Programação de Agosto 2008
Mês da Cultura Popular
Ecos de uma Terra Sagrada que acolhe gente do mundo inteiro
Ecos de violas, sanfonas e tambus que vieram de longe, e se uniram aos cantos,
ritos e ritmos dessa Terra para encantar e amenizar as dores de parto de um Povo Novo.
16/08/2008 - sábado, às 20:00 hs. Grooverados
Suas musicas misturam diversos estilos e são arranjados por todos os integrantes (quarteto), mostrando a soma das habilidades e versatilidades de cada componente. O resultado chama-se Rock-Groove.
19/08/2008 - terça-feira das 14:00 às 17:00 para jovens e das 18:00 às 21:00 para educadores e outros interessados.
Workshop “Filhos desta Terra” com Tatiana Zalla e as companhias Encantoria e Cia. Duberrô.
A proposta é: baseado no filme de Darcy Ribeiro “O Povo Brasileiro”e na pesquisa do grupo proporcionar uma vivencia e reflexão à respeito das raízes culturais da nossa região (São Paulo caipira). Veja poesia acima. Com o grupo de educadores será abordado a importância pedagógica deste tipo de trabalho.
23/08/2008 - sabado às 21:00 hs Encontro de Compositores • Show de Lançamento do Cd
Realizado por Gunnar Vargas e Convidados pelo Programa Vai 2007-08
24/08/2008 - domingo às 16:30 hs
“Interpretando o Sol” com O Bando do Pé Rapado
É um grupo de jovens do Parque Santo Antonio inserido no “Projeto Vocação de Musica” que mostrará seu trabalho .
29/08/2008 – sexta-feira às19:00 hs no Céu Casa Blanca:
Ecos da Paulistânia com as companhias Encantoria e Cia. Duberrô.
É uma apresentação musical inspirada em historias sobre a formação da Paulistânia Caipira. (Veja poesia encima e workshop do dia 19/08).
29, 30 e 31 /08/2008
III Encontro de Artes Waldorf
Palestras e Oficinas
É uma oportunidade de conhecer as bases teóricas do ensino de artes nas escolas Waldorf e ter vivencias praticas em 10 oficinas divididas conforme as faixas etárias (setênios) das crianças e adolescentes.
Maiores informações e inscrições (até dia 25.08.):
encontrodearteswaldorf@gmail.com
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segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Show de Lançamento CD Encontro de Compositores
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sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Biblioteca Trópis - DOMINGO-FERA
Domingo 10 de Agosto
17 h Ensaio aberto: venha inventar conosco o novo SARARAU DA TRÓPIS... a cultura de bom humor
A Associação Trópis não necessariamente apóia os políticos que recebe para debates na sua Biblioteca. O objetivo é apenas oferecer um espaço de encontro entre a população local e pessoas que se propõem a representá-la
No Centro Cultural Monte Azul •
aguarde a programação comemorativa dos 10 anos de oficialização da Associação Trópis noDomingo 07 de Setembro !

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quinta-feira, 7 de agosto de 2008
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
CineBecos apresenta: Patativa do Assaré - Ave Poesia e A viagem de Chihiro
Sessão Infantil ás 17h
A Viagem de Chihiro
Animação, Japão, 2001.
Direção: Hayao Miyazaki
Sinopse: Perdidos em uma viagem de mudança, Chihiro e seus pais acabamdescobrindo uma misteriosa passagem que os leva até um mundo mágico. Élá que a jovem Chihiro precisará enfrentar uma jornada heróica parasalvar seus pais, que foram transformados em porcos. Vencedor do Oscarde Melhor Filme de Animação.
Sessão Adulto ás 19h
Patativa do Assaré – Ave Poesia
Documentário, Brasil. 2007.
Direção: Rosemberg Cariry
Sinopse: O filme aborda a vida e a obra do poeta Patativa do Assaré,destacando a relevância dos seus poemas, o significado político dosseus atos e a sua imensa contribuição à cultura brasileira. Dono de umritmo poético de musicalidade única, mestre maior da arte daversificação e com um vocabulário que vai do dialeto da línguanordestina aos clássicos da língua portuguesa, Patativa do Assaré é asíntese do saber popular versus saber erudito. Patativa do Assaréconsegue, com arte e beleza, unir a denúncia social com o lirismo. Aço e rosa.
Dia: 31/08 Domingo na Casa Popular de Cultura do M´Boi Mirim
End: Av. Inácio Dias da Silva, S/Nº - Piraporinha Zona Sul
Fone:5514-3408
Mais informações: http://www.becosevielaszs.blogspot.com ou 7620 6233
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